Notas sobre a verdade estar lá fora

 



Não sei exatamente em que momento isso aconteceu.

Não houve uma nave espacial pousando no meu quintal, nenhum homenzinho verde apareceu na minha janela. Nenhum extraterrestre me abduziu no meio da madrugada e, sinceramente, considerando a quantidade de coisas que eu já tenho para fazer, eu agradeceria se continuassem sem fazê-lo.

Eu simplesmente comecei a pesquisar sobre vida extraterrestre.

Quer dizer, é óbvio que eu nunca achei que fôssemos os únicos habitantes do nosso imenso universo, seria muita arrogância de minha parte. Mas nunca na minha vida eu dediquei um tempo a refletir realmente sobre isso, embora eu seja uma das fãs mais entusiasmadas de The X-Files (Arquivo X). Só que daí eu assisti ao filme DIA D (Disclosure Day) e o hiperfoco começou. Uma curiosidade inocente. Uma pergunta aqui, um vídeo ali, uma matéria sobre a possibilidade de existirem outras formas de vida no universo. Nada demais.

E então aconteceu aquilo que sempre acontece quando alguma coisa consegue atravessar a porta da minha curiosidade: eu entrei e me sentei. E, em algum momento, percebi que não sabia mais onde ficava a saída.

De repente, eu estava lendo sobre a possibilidade de existirem civilizações extraterrestres, diferentes tipos de seres, hipóteses sobre como poderiam ser suas sociedades, suas tecnologias e (porque aparentemente eu tenho tempo demais para pensar em coisas absolutamente essenciais para a sobrevivência da humanidade) quais seriam as possíveis raças de alienígenas.

E não estou dizendo que acredito em todas elas (antes que alguém comece a me imaginar usando um chapéu de papel-alumínio enquanto observo o céu pela janela. Se bem que, convenhamos, seria uma imagem bastante coerente com o rumo que esta história tomou), mas também não estou dizendo que duvido de sua existência. Estou meio que em cima do muro nesse sentido.

Porque quanto mais eu leio, mais perguntas aparecem. Pensemos, como já mencionei anteriormente, na dimensão do universo.

Pensou? Pensaram? Pensastes?

Porque eu tenho a impressão de que nós, seres humanos, não fazemos isso com a frequência necessária. Not at all.

Vivemos aqui, neste pequeno planeta, preocupados com boletos, trânsito, eleições, mensagens que deixamos para responder depois, pessoas que nos irritam, qual será o próximo dorama a ser assistido e gatos que derrubam coisas da mesa enquanto nos encaram como se a culpa fosse nossa (este último um pouco específico demais, eu sei).

Tudo isso acontecendo enquanto estamos girando no espaço (aquele negócio de rotação e translação que aprendemos na 4ª série), dentro de um universo tão absurdamente gigantesco que a nossa própria existência começa a parecer uma ideia meio maluca. E aí vem a pergunta: Será que somos mesmo os únicos?

Eu sei que existem explicações científicas, probabilidades, teorias e uma quantidade de gente muito mais inteligente do que eu tentando responder a essa pergunta, mas ainda assim. Olhemos para o tamanho disso tudo, para a quantidade de estrelas, para os planetas e galáxias. Como conseguimos olhar para tudo isso e simplesmente concluir “É, acho que só aconteceu aqui”?

Sinceramente, me parece uma conclusão bastante ousada e prepotente.

Talvez exista vida em algum lugar, talvez não.

Talvez existam seres em algum lugar do universo que não consigamos nem imaginar, afinal, nossa imaginação é limitada por aquilo que já conhecemos e tentamos imaginar o desconhecido usando pedaços do que já vimos.

Mas e se o universo estiver cheio de coisas que a nossa mente simplesmente não consegue imaginar? Isso pode ser maravilhoso e, ao mesmo tempo, um pouco perturbador. E agora, depois do filme, toda vez que olho para o céu, penso que pode existir alguém em algum lugar fazendo exatamente a mesma coisa.

E, se existir, será que eles também têm problemas? Será que existem extraterrestres discutindo sobre política ou preocupados com boletos? Ou será que alguma civilização muito mais avançada vivendo, fazendo e planejando todas essas coisas que os filmes e os believers dizem que estão?

Mais importante: Será que existem gatos em outros planetas?

(Porque, se não existirem, sinceramente, talvez aquela civilização ainda não tenha alcançado o nível adequado de evolução. Esta é a minha opinião científica sobre o assunto.)

E aí comecei a divagar porque, como cria de The X-Files e depois de muito ler sobre o assunto, a maioria das informações (?) que se encontra sobre abduções, por exemplo, diz que elas são muito traumáticas, doloridas e horríveis, uma experiência da qual ninguém gosta de se lembrar (aqui estamos fazendo uso da suspensão da descrença, ok?). Já assistiram, por exemplo, a Contatos de quarto grau?

E aí vem o filme Disclosure Day dando a entender que ser abduzido é lindo, ser abduzido é agro, é pop. Que você ganha uma porção de talentos, uma inteligência imensurável e se torna o bonitão das tapiocas se comparado ao restante dos demais terráqueos. E o filme ainda vem com uma mensagem bem clara, porque alguém diz “Não tenha medo do desconhecido”.

Daí eu penso: Será que não é pra ter?

Porque, diante das coisas que li e assisti, a abdução não me parece um passeio de montanha-russa.

E tem outra coisa que me deixou muito, muito, muuuuito cismada: a certa altura do filme, são exibidos vários vídeos de avistamentos de naves e seres alienígenas nos últimos 70 anos, como se fossem filmagens feitas por quem estava presenciando o acontecimento. Só que algo me diz que aqueles vídeos não são apenas vídeos criados para o filme, tenho um feeling muito forte de que eles são reais.

Ah, mas por que você acha isso, San? – você me pergunta.

E eu te respondo que não sei. É só meu palpite baseado completamente nas vozes da minha cabeça – que são muitas.

O fato é que, quando acabamos de ver o filme (meu marido viu comigo), nós olhamos um pra cara do outro e dissemos: Isso não é só um filme. E olha que somos muito céticos no que se refere a este tema. Mas tivemos a nítida impressão de que assistimos a um documentário, uma verdadeira revelação, assim como acontece no filme. Tipo a revelação dentro da revelação, numa analogia às brincadeiras de dizer verdade, sabe?

(Jesus, eu tô viajando muito. Assisti a uma coisa que mexeu comigo mais do que eu esperava e agora não consigo decidir se estou diante de uma obra de ficção, de uma hipótese interessante ou se minhas vozes internas estão se divertindo às minhas custas.)

Acho que é por isso que eu não consigo parar de pesquisar. Porque, quanto mais eu assisto, leio e pesquiso, mais gosto das perguntas (e, aparentemente, eu tenho muitas).

Então, se vocês precisarem de mim nos próximos dias, desprecisem. Provavelmente, entre uma aula e outra – porque, afinal, eu nasci curiosa e não herdeira – estarei em algum canto da internet lendo sobre possíveis civilizações extraterrestres. Ou tentando entender o universo (o que, pensando bem, parece uma tarefa um pouco ambiciosa para alguém que ainda perde o celular dentro da própria casa).

Mas tudo bem, um passo de cada vez.

Primeiro, eu encontro o celular. Depois tento descobrir se estamos sozinhos no universo.



The truth is out there.


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1 comments:

Ane disse...

Oi, Sam! Finalmente cheguei por aqui! Passei algum tempo sem postar: muitos afazeres. Mas agora estou de férias, que tempo abençoado! Quero agradecer pela sua visita e pelo comentário no meu blog. De vez em quando tento visitar alguns blogs "Blogueiros Raiz" e sempre acho blogs maravilhosos, pena que não há quase nenhuma interação. Gostei muito do seu cantinho, você escreve muito bem e as imagens são lindas!
Devo dizer que acredito em extraterrestres. Acho que os governos do mundo escondem as evidências e até provas! Mas imagine se um dia isso for provado! Muita gente vai entrar em pânico! Um abraço! (●ˇ∀ˇ●)