Notas sobre sair da zona de conforto e se arriscar
Como mencionei ali na minha breve apresentação, ao lado direito, eu sou professora particular de Inglês. E agora mesmo terminei uma aula onde apresentei para a aluna a música (antiga) Standing outside the fire, de um cantor country chamado Garth Brooks. Vou colocá-la aqui, para quem quiser conferir:
Essa música fala sobre a coragem de se envolver verdadeiramente com a vida. O “fogo” é uma metáfora para tudo aquilo que nos transforma: amar, sonhar, lutar por algo, assumir riscos, sofrer, se entregar e permitir que as experiências nos afetem. "Ficar do lado de fora do fogo" significa escolher uma existência segura, observando tudo de longe para não se machucar, ficar na zona de conforto. Sua mensagem é que uma vida sem riscos pode até ser mais confortável, mas também pode ser uma vida que nunca foi plenamente experimentada, vivida. Para viver de verdade, precisamos aceitar que algumas escolhas vão doer, que podemos perder, fracassar ou nos ferir, mas que, ainda assim, vale a pena entrar no fogo.
E há uma ideia muito forte por trás de toda a música: não é o sofrimento que dá sentido à vida, mas a disposição de se entregar a algo que importa, mesmo sabendo que existe a possibilidade de sofrimento.
Se eu tivesse que resumir a essência da música em uma única frase, seria: “Não passe a vida inteira protegendo-se daquilo que poderia fazê-la realmente valer a pena.”
E ao terminar a aula, eu fiquei com o significado dela borbulhando aqui na minha cabeça, então decidi escrever este post justamente pra dizer que às vezes a gente precisa sair da zona de conforto e se arriscar, porque, olha só, pode dar certo! Não vou mentir e dizer que não é confortável viver a nossa vidinha, a nossa rotina, com tudo sob controle, tudo em paz e sem caos. Mas onde está a emoção? Onde está a satisfação de tentar algo novo, se arriscar, lutar e conseguir vencer? E muitas vezes o resultado é muito melhor - e maior - do que a gente esperava. Aí você pode me dizer: "Ah, mas eu tenho medo do caos". Mas quer saber? O caos é uma escada. (Quem sabe, sabe. 😜)
Como eu mencionei ontem, no primeiro post, eu estou estudando Tarô. E aí, pensando na profundidade da letra dessa música e sobre o que eu queria falar, eu também pedi ao Tarô que me desse a carta do dia, e pedi que fosse uma carta que se encaixasse perfeitamente ao significado da música. E a carta veio:
O CARRO: Arcano VII do Tarô, esta carta representa movimento, determinação, coragem, disciplina e conquista. A carta mostra um jovem conduzindo um carro puxado por duas esfinges opostas, uma clara e outra escura, simbolizando as forças contraditórias que existem dentro de nós, como razão e emoção, desejo e medo. O fato de não haver rédeas indica que seu verdadeiro poder não está na força física, mas no autodomínio e na capacidade de direcionar essas forças para um mesmo objetivo. O Carro é a passagem da escolha para a ação: depois de decidir o caminho (escolha que foi feita no post anterior, com a carta Os Enamorados), é preciso ter coragem para seguir em frente, superar obstáculos e assumir as rédeas da própria vida. No amor, pode indicar avanço e iniciativa, enquanto no trabalho favorece conquistas, crescimento e realização de objetivos. Quando invertido, pode apontar falta de direção, impulsividade ou excesso de controle. Em essência, O Carro nos ensina que não basta saber o que queremos; precisamos encontrar uma direção e ter determinação para conduzir nossa própria jornada até lá.
E aí, talvez você me pergunte: "Mas o que é que O Carro tem a ver com a música do Garth Brooks"?
Espera, eu te conto.
Na verdade, a associação é muito bonita. Acho que a música captura uma dimensão de O Carro que às vezes fica escondida quando reduzimos a carta a “vitória” e “determinação”.
A música fala essencialmente sobre não viver de maneira passiva ou protegida demais. “Standing outside the fire” — ficar do lado de fora do fogo — representa observar a vida de uma distância segura, sem se arriscar, sem se entregar completamente. E a mensagem da música é justamente que uma vida verdadeiramente vivida exige coragem para entrar no fogo, mesmo sabendo que podemos nos ferir.
Isso conversa profundamente com O Carro. O personagem da carta está protegido por sua armadura, mas está em movimento. Ele não permanece parado esperando que o caminho se torne seguro. Ele escolhe uma direção e parte, enfrentando aquilo que surgir pelo caminho. As duas esfinges representam forças opostas que precisam ser conduzidas, assim como na música, que diz que precisamos aprender a lidar com medo e coragem, segurança e risco, desejo e prudência. O Carro, portanto, pode ser visto como aquele momento em que dizemos: “Eu poderia permanecer aqui, onde é seguro, mas escolho seguir.”
E existe outra conexão ainda mais bonita: O Carro não é simplesmente sobre vencer; é sobre ter coragem de viver a própria jornada. A música questiona justamente uma existência em que nunca nos arriscamos, nunca amamos profundamente, nunca perseguimos aquilo que queremos porque temos medo das consequências. O Carro responde: você não precisa controlar tudo para seguir em frente. Você precisa apenas encontrar uma direção e ter coragem de conduzir.
Talvez seja justamente isso que a música e O Carro estejam tentando nos lembrar: não precisamos esperar que o fogo deixe de ser fogo para entrar nele. Não precisamos esperar que o caminho esteja completamente seguro para começar a percorrê-lo. Às vezes, precisamos simplesmente escolher uma direção, respirar fundo e ir. Porque talvez, do outro lado do fogo, exista uma vida muito maior do que aquela que tínhamos medo de deixar para trás.
E o mais curioso é que a carta de hoje fez uma conexão e criou uma sequência muito bonita com a carta de ontem: primeiro fazemos nossa escolha, depois criamos coragem e seguimos.
E sabe o que é mais louco? Isso tudo saiu de uma aula de Inglês! 😂
ABOUT THE AUTHOR
Hello We are OddThemes, Our name came from the fact that we are UNIQUE. We specialize in designing premium looking fully customizable highly responsive blogger templates. We at OddThemes do carry a philosophy that: Nothing Is Impossible

2 comments:
Faz muito sentido td isso!
Eu me apaixonei por esta música! Amei tua interpretação. Podemos ter medo do que está na nossa frente, mas o que tem depois do que nos dá medo? Depois pode haver tantas coisas maravilhosas, tantas vivências enriquecedoras. Outra comparação que também gosto é do farol do carro de noite. Ele ilumina apenas do que esta na nossa frente e é isso que precisamos, passar por cada quilômetro, enxergar o próximo passo apenas, porque os outros quilômetros vão aparecer só quando estivermos em movimento até que chegamos no destino que queremos. Conquistas, sonhos se tornam realidade quando nos colocamos em movimento, eles não batem na nossa porta quando estamos "sentados" num sofá confortável.
Postar um comentário