Notas de um recomeço



Houve um tempo em que eu tive um blog. Aliás, eu tive vários, nas minhas várias fases, por muitos anos. Não era sobre beleza, sobre filmes, séries, músicas, nada disso. Era apenas sobre minhas vivências e minhas divagações. Não sei se o Blogger ainda tem a ferramenta de importar posts antigos para outro blog, mas, se tiver, talvez eu o faça. Sinto falta daquelas partes de mim. 

Enfim, o ponto é que, hoje, com o bombardeio de informações a que somos submetidos o tempo todo e o excesso de textos e conteúdos criados por inteligência artificial (e não me tomem aqui como inimiga da IA, pelo contrário. Eu, como professora particular de Inglês, utilizo muito a IA na elaboração das minhas lições para meus alunos, mas usando-a apenas criar alguns textos, exercícios e imagens, para as lições, nada além disso), de repente senti a necessidade de reduzir o ruído e transbordar meus pensamentos em algum lugar. Um lugar onde eu não precise transformar tudo em conteúdo. Onde uma ideia possa simplesmente ser uma ideia, sem precisar virar carrossel, vídeo de quinze segundos, thread, lista de cinco coisas que você precisa saber ou qualquer outra coisa que o algoritmo tenha decidido que as pessoas querem consumir naquele dia. 

Aqui eu quero falar sobre meus gostos e desgostos, meus livros preferidos, sobre teorias, coisas estranhas que descobri às três da manhã, lembranças, opiniões impopulares... enfim, tudo o que me vier à mente. 

Curiosamente, esta ideia de blog me veio do nada, enquanto eu estava justamente estudando o Tarô (que é um dos meus inúmeros interesses nesta vida), que fala tanto sobre ciclos, caminhos, começos e recomeços. E então surgiu a vontade de (re)começar alguma coisa. E depois que essa ideia apareceu, eu não consegui mais me concentrar nas cartas, só pensava em criar um blog. Bem, aqui estamos. Quero que este seja um lugar para falar de coisas que não precisam necessariamente servir para alguma coisa.

Posso dizer que fiz parte da grande era de ouro dos blogs, me lembro de como as coisas funcionavam e de como a comunidade era legal. Hoje em dia, pra ser sincera, eu não sei se ainda existe alguém que leia blogs. Acho difícil. Mas talvez quem escreve não o faça, antes de tudo, para ser lido, mas para extravasar o que não cabe mais dentro de si. 

Havia quem fizesse posts diários, mensais ou até semanais. Eu não vou precisar uma frequência. Talvez eu faça dez posts em um dia e nenhum no outro. Talvez eu tenha muito a dizer por um mês e depois passe dois em silêncio (já conseguiram descobrir meu signo? ahahaha). Mas estarei por aqui e falarei sobre coisas. 

Estranho, não sei bem o que dizer num primeiro post. Não é como se eu nunca tivesse tido um blog antes, mas, ao mesmo tempo, parece que é a primeira vez que "apareço" na internet. 

Enfim, por ora, acho que é isso. 
Não sei exatamente o que este blog vai ser e talvez essa seja justamente a graça. 
Por enquanto, é apenas um lugar para colocar algumas coisas para fora. Pensamentos, livros, gatos, teorias, lembranças, descobertas, coisas que me irritam, coisas que me encantam e provavelmente algumas opiniões que ninguém pediu.

Talvez ninguém leia. Talvez alguém leia. Talvez eu escreva amanhã, talvez daqui a três semanas. Mas, de algum modo, depois de tantos anos, eu estou aqui novamente.

E acho que estava com saudade.






E, já que eu contei que estava estudando o Tarô quando tive a ideia do blog, quero deixar aqui a carta do dia:

OS ENAMORADOS

Esta é muito mais do que a carta do amor e do romance: representa escolhas, desejos, valores e alinhamento interior. A imagem do homem e da mulher diante do anjo simboliza o encontro entre desejo, consciência e uma dimensão mais elevada, enquanto a serpente e as árvores remetem ao conhecimento, à tentação e às consequências das escolhas. No amor, a carta pode indicar conexão profunda e reciprocidade, mas também nos lembra que amar é, sobretudo, escolher. Em outras áreas da vida, pode surgir diante de uma encruzilhada, convidando-nos a decidir entre caminhos, oportunidades ou partes de nós mesmos. Suas grandes perguntas são: O que você realmente quer? Essa escolha está de acordo com quem você é? Assim, Os Enamorados nos ensinam que não basta sentir intensamente, é preciso escolher conscientemente aquilo que está alinhado aos nossos valores e ter coragem de assumir essa escolha.


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2 comments:

Fernanda Rocha disse...

Uma leitora tenha certeza que já tem. Me vi em muitos trechos dessa primeira postagem. Bom recomeço por aqui.

San disse...

Que bom encontrar seu recadinho aqui! Sua presença na minha vida (e agora no meu blog) são um presente!